Publicado por em Tour | 05 de julho

Um show de Harry Styles me deixou com esperança na juventude

Quase um mês depois de a Suprema Corte ter decidido em favor do padeiro de Colorado que se recusou em fazer um bolo celebrando um casamento entre pessoas do mesmo sexo, Harry Styles correu no palco do Pepsi Center em Denver, Colorado, segurando uma bandeira do Orgulho. Esse é um estado que pouco votou pela Hillary Clinton na eleição de 2016; apesar de bolsões metropolitanos azuis, a cidade é rodeada por profundas comunidades vermelhas, incluindo Weld County e Colorado Springs, que é considerada uma das cidades mais conservadoras do país. É muito surpreendente, então, ver uma estrela pop jovem fazer uma declaração política tão ousada no palco em um estado tão dividido, em um país dividido. 

Estrelas pop muitas vezes optam em não dizer nada sobre nada em um momento de conflitos ideológicos. Jogar de forma segura maximiza o público principal. Qualquer coisa política é uma má decisão comercial. 

Certamente uma estrela como Harry Styles atraiu as pessoas ao Pepsi Center, que é a maior arena em Colorado e nos estados próximos, região do Rocky Mountain. Pessoas com chapéus de cowboy, pais com camisetas do Metallica, mães de clubes coutry – todos se espalhavam na multidão de alguns dos 87 subúrbios brancos do estado. Mas também atraiu adolescentes carregando chapéus dos arco-íris, e até mesmo uma bandeira do Orgulho presa a uma bandeira do Black Lives Matter na primeira fileira.  

Então, de volta ao Harry Styles. Ele é um galã, um ícone fashion, um ex-integrante de boyband, um jovem de 24 anos – alguém que é um criador de gostos para toda uma geração. Ele é um ídolo adolescente. E, por todas as contas, ele é um cara muito bom. Me prove o contrário. Durante seu show, ele notou três aniversariantes e lembrou deles nos seus agradecimentos finais. (Enquanto isso, você pode me apresentar a alguém numa festa e eu esquecerei seu nome em 30 segundos). 

Esta é uma geração que idolatra estrelas de YouTube como Jake Paul (e seu irmão idiota), que aparece em hordas no memorial do XXXTentacion, que escuta a p*rra de Post Malone e The Chainsmokers. No entanto, aqui está o doce Harry, que tem as palavras “Treat People With Kindness” escrita em seu merch que quase toda a jovem menina que entrava na arena usava. 

A música também, é algo que os velhos podem apreciar. Durante seu show, suas músicas canalizavam Pink Floyd, The Beatles e os Rolling Stones – e ele parecia uma jovem combinação de cada um dessas bandas, ostentando uma camisa fofa e brilhosa. Ele também fez um cover excelente de “The Chain” do Fleetwood Mack. E ele estava doente durante todo o show: o pobre garoto estava tossindo durante todo o show e lutando contra a notória altitude do Colorado. Ainda assim, ele foi flexível o bastante para cantar cada música da forma mais confortável. Eu já vi centenas de shows em minha cidade, e raramente os artistas tentam cantar todas as músicas sem a capacidade pulmonar. Ele é musicalmente inteligente o bastante para adaptar sua forma de cantar à altitude. Isso não é fácil. 

Vamos ser claros, isso não é um homem usando bandeiras do orgulho como forma de marketing; ele é alguém que apoia os direitos LGBTQ desde seus dias na One Direction, uma vez a maior banda pop do mundo. Ele lutou contra a Igreja Batista Wesboro, ele apoio o trio queer Muna em turnê, e ele canta, em “Medicine”, o que muitos consideram um hino bissexual: “The boys and the girls are here  / I mess around with him / And I’m OK with it.” Durante o mês do Orgulho, Styles balançou uma bandeira “Make America Gay Again.” 

Olhe para os likes de Drake e Taylor Swift (gasp! Drama!) por exemplo – duas estrelas pop tão presas em suas próprias personalidades que suas músicas e existência se esquecem do mundo ao redor delas. E então aí está Styles, que deixa claro em seu show ao dizer aos seus fãs para “se sentirem livres para fazerem o que quiserem fazer, se sentirem livres para ser quem quiserem ser.” Ele balança a bandeira do Orgulho durante o cover da quatro vezes platina “What Makes You Beautiful” – somente quando Styles faz cover de sua própria banda, ele torna o hit da One Direction de uma canção empolgante assustadora em uma imponderada, inclusiva para todos cantarem. Ele até traz uma artista country subversiva como Kacey Musgraves com ele para abrir o show em Denver – uma cidade que lotará múltiplos shows em estádio de Kenny Chesney. É onde Toby Keith abriu um bar e grill homônimo. Apesar de seus multiplos prêmios country, Musgraves notou cada uma das pessoas na plateia antes de cantar seu hit queer “Follow Your Arrow.” 

É fácil – tão fácil – olhar para a geração Tide Pob e se preocupar. É fácil pensar que as crianças vão jogar Fortnight, seja já o que for, enquanto o mundo ao seu redor pega fogo. Mas então aí está Harry Styles, que está aqui para nos lembrar que a juventude está aqui, eles são conscientes, e realmente se importam. Talvez há esperança por entre as dezenas de milhares de fãs gritando.  

Fonte: Esquire

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