Publicado por em Entrevista, Fine Line, Solo | 13 de dezembro

ROLLING STONE: Harry Styles revela os segredos por trás de ‘Fine Line’

Uma repartição faixa a faixa do novo e alegre álbum do cantor

Harry Styles gira no centro do L.A. Forum, dançando loucamente com sua nova música “Golden.” O local está deserto. É quinta-feira à tarde, apenas algumas horas antes do lançamento de seu tão aguardado segundo álbum, Fine Line.  Ele está ensaiando para o grande show de celebração do lançamento do álbum de sexta. (Do lado de fora da arena, o estacionamento está cheio de cabanas – fãs do mundo todo estão acampadas durante toda a semana, esperando por um canto neste chão.) Depois de algumas horas de ensaio com sua banda, Styles se solta enquanto o novo álbum começa a explodir nos alto falantes, dançando alegremente. É provavelmente a última vez que ele ouvirá essa música num local em que ninguém mais esteja dançando.

Nos bastidores, ele descansa num sofá de couro com suas flares de veludo, um colares de pérolas, e uma camiseta amarela com a estampa de um panda e as palavras “Eu Vou Morrer Sozinho [I’m Gonna Die Lonely]”. Ele e seu braço esquerdo musical, Tom “Kid Harpoon” Hull, discutem sobre a set list de sua turnê mundial, embora ela só comece em abril. Sua mãe se estica para pegar uma maça; sempre um bom filho rock-star, Styles a entrega uma tigela onde as maças mais deliciosas estão escondidas. Ele está inquieto com a expectativa do mundo ouvir suas novas músicas, e não está fazendo um bom trabalho em esconder isso.

Fine Line é uma obra-prima pop cheia de alma, expansiva e alegre que Styles esteve procurando desde que explodiu há quase 10 anos, como o galã da One Direction. Enquanto ele canta “Lights Up”, single lançado em setembro, ele está entrando na luz. “Tudo se resume em eu estar me divertindo mais, eu acho”, ele diz. “Eu acho que ‘Lights Up’ veio no final de um longo período de auto-reflexão, auto-aceitação” ele diz. “Ao longo dos dois anos de gravação do álbum, eu passei por muitas mudanças pessoais – tive aquelas conversas comigo mesmo que você nem sempre tem. E eu me sinto mais confortável sendo eu mesmo.”

Sua vida mudou de muitas maneiras – algumas envolvendo o cogumelo mágico ocasional, outras envolvendo o poder psicodélico ainda maior de ter o coração partido. A música varia da vibe de um rock hippie suave de Laurel Canyon em “Canyon Moon” – Styles chama isso de “Crosby, Stills, e Nash em esteroides” – ao pulso de R&B de “Adore You.” Fine Line é um álbum de término, que muitas vezes é triste, mas reflete a evolução introspectiva de um rapaz de 25 anos navegando nos mares de transar e se sentir triste, apesar de Styles ter passado muito de sua juventude debaixo dos holofotes. Ele se recusa em seguir modas ou se encaixar em qualquer fórmula. “O argo geral é que eu somente tentei redefinir o que sucesso significa para mim. Eu tentei religar o que pensava sobre isso. Muita coisa muda em dois anos, especialmente depois de sair de uma banda e descobrir o que é vida agora. Eu me sinto muito mis livre, fazer esse álbum – você consegue um lugar onde se sente feliz mesmo que a música remeta à um tempo em que você não estivesse feliz assim.”

Na primeira vez que Styles tocou esse álbum para mim, em junho, foi há algumas milhas de distância, nos estúdios Henson em LA, no mesmo quarto onde sua ídolo Carole King fez Tapestry – para ele, terra sagrada. “Eu olho para o último álbum,” ele diz então, se referindo ao álbum de estreia de 2017. “E eu achei que estava sendo tão honesto só porque tem uma linha sobre bater punheta. Eu não tinha ideia. Você escreve uma música que é muita aberta e honesta, e pensa, ‘Essa é a minha música,’ mas então você a passa para outras pessoas, e é tipo, ‘Oh, porra!’ Até que quando as pessoas as escutas, elas deixam de ser músicas. São somente anotações de voz.”

Aqui está um guia de música por música de Fine Line – junto com a jornada criativa e emocional que teve ao fazer.

“Golden”

A primeira canção escrita para o Fine Line, no segundo dia de sessões nos estúdios Shangri-La em Malibu. “Essa foi a primeira que eu toquei para as pessoas”, ele diz. “Essa simplesmente sempre teve que ser a Primeira Faixa.” É uma explosão de rock suave de SoCal nos anos 70, o tipo de suavidade que impregnava o primeiro álbum de Laurel Canyon. “Quando escrevemos ‘Golden’, estávamos sentados ao redor da cozinha no estúdio, eu estava a tocando no violão. Haviam cinco de nós cantando as harmonias – a acústica da cozinha fez soar tão legal, então achamos, esse som vai funcionar.”

Mesmo nessa faixa pop ensolarada do SoCal, há um tom agridoce de perda: enquanto o sol se põe, ele implora, “Eu não quero ficar sozinho. [I don’t wanna be alone].” Enquanto ele diz, “Eu não sei muito sobre a vida de Van Morrison, mas sei como ele se sentiu sobre essa garota, porque ele colocou isso em uma música. Então, eu gosto de trabalhar a mesma maneira.

“Watermelon Sugar”

Styles fez essa geleia de frutas no Saturday Night Live, se estendendo com sua banda ao vivo. Ele escreveu “Watermelon Sugar” com o produtor Tyler Johnson, Tom Hull, e seu companheiro de guitarra Mitch Rowland; como em todo o álbum, ele trabalhou com membros de seu elenco rotativo de amigos e colaboradores, em vez de um grupo de profissionais de hits. “Se você vai para sessões com compositores ou algo do tipo, você passa um ou dois dias lá, e não há como essas pessoas realmente se importarem com seu álbum da forma que você se importa. Pois eles vão estar em outra coisa amanhã. Eu sei que Mitch, Tyler, Tom, Sammy [Witter], Jeff [Bhasker] queriam que o álbum ficasse bom da mesma forma que eu queria. Eles não ligam se é a música deles ou não. Eles não estão preocupados com quantas músicas terão no álbum. Eles querem que seja o melhor álbum que posa ser. Vamos nos unir às músicas que amamos e coisas pelas quais estamos passando. Não é como se tivesse uma pessoa no grupo que está tipo, ‘Bom, não, eu não quero falar sobre isso. Eu só faço batidas.’”

Uma grande influência no álbum – e em sua vida – é a sua experiência em sua primeira turnê solo, saindo sem a One Direction. “A turnê me afetou profundamente. Realmente me mudou emocionalmente. Ter pessoas vindo para cantar as músicas. Foi a coisa mais importante em termos de me aceitar melhor. Eu ficava pensando: ‘Uau, eles realmente querem que eu seja eu mesmo. E saia e faça isso.’ Isso é a coisa pelo qual sou mais grato, por fazer turnês. Os fãs no local [fazem] desse ambiente onde as pessoas sentem como se pudessem ser elas mesmas. Não há nada que me faça me sentir mais eu mesmo do que nesse lugar cheio de pessoas. Me faz perceber que as pessoas querem me ver experimentar e me divertir. Ninguém quer ver você fingindo isso.”

“Adore You”

“‘Adore You’ é a música mais pop do álbum,” ele diz sobre seu single mais recente. “Dessa vez, eu me senti com menos medo para escrever músicas pop divertidas. Tem a ver com toda a coisa de estar em turnê e se sentir aceito. Eu escutou coisas como Harry Nilsson e Paul Simon e Van Morrison, e eu penso, bom, Van Morrison tem ‘Brown Eyed Girl’ e Nilsson tem ‘Coconut.’ Bowie tem ‘Let’s Dance.’ As coisas divertidas são importantes.”

“Lights Up”

Depois de iniciar sua carreira solo com “Sign of the Times,” um glam-rock épico de piano, Styles surpreendeu muitos fãs com seu primeiro single de Fine Line: um ritmo elegante e sucinto de R&B. “Quando toquei para a gravadora, eu disse para eles, ‘Ele é o primeiro single. Tem dois minutos e trinta e cinco segundos. De nada.’” Chegou tarde nas sessões: “Lights Up,” “Treat People with Kindness,” e “Adore You” foram escritas na última semana da primavera, em uma explosão de inspiração.

Para Styles, tem algo a ver com sair por conta própria. Quando começou a escrever, foi como o integrante de um grupo. “‘Happily’, essa foi a primeira vez que vi meu nome ser creditado [em uma canção]. Eu gostei disso,” ele diz. “Mas sabia que apenas cantaria uma parte da música. Eu sabia que se escrevesse uma canção realmente pessoal, eu não a cantaria. Era como uma rede de segurança. Se uma canção fosse muito pessoal, eu poderia recuar e dizer, ‘Bom, não tenho nada a ver com isso.’ A composição era tipo, ‘Bom, se eu fosse escrever uma música sobre eu mesmo, eu provavelmente nunca a cantaria.’ É como storytelling. Às vezes se você estiver, tipo, contando uma história realmente pessoas, então a voz muda a cada poucas linhas; não faz exatamente coisa. Quando a música vai se tornando mais pessoal, eu acho que eu me tornei mais ciente de que, em algum ponto, talvez haveria um momento em que eu mesmo gostaria de cantar.”

Um ponto de mudança foi “Two Ghosts,” uma balada de seu álbum de estreia. “Escrevi ‘Two Ghosts’ para a banda, para Made in the A.M. Mas a história era um pouco pessoal demais. Quando comecei a me abrir e escrever coisas mais pessoais minhas, percebi que parte de mim dizia, ‘eu quero cantar a música inteira.’ Agora olho para as faixas do álbum e vejo todas as canções como meus bebês. Então, toda vez que estou tocando uma música, consigo lembrar de sua composição, e de onde estávamos exatamente e o que estava acontecendo em minha vida quando a escrevi. Então, todo o show é essa grande jornada emocional, sabe? Essa é a grande diferença, em vez de a cada 20 minutos ficar, ‘Oh, eu me lembro dessa.’”

“Cherry”

O momento mais poderoso em Fine Line – uma confissão crua de ciúmes. Seu engenheiro Sammy Witte estava tocando um riff acústico de guitarra que Styles ouviu e amou. “Esse foi o momento de falar, ‘Sim, eu quero que minhas músicas soem assim,’” ele diz. Termina com uma voz feminina falando em francês, enquanto Harry toca violão. “É apenas uma gravação da minha ex-namorada falando. Eu estava tocando violão e ela recebeu um telefonema – e ela estava, realmente, falando no tom da música.”

“Falling”

Uma balada de alma sonhadora. “Tom veio à minha casa para pegar algo, e ele sentou-se no piano e eu tinha acabado de sair do banho. Ele começou a tocar, e nós escrevemos ali mesmo. Então eu estava completamente nu quando escrevi essa música.”

“To Be So Lonely”

“A música ‘To Be So Lonely’ é exatamente somente como a articulação do álbum de Mitch,” Styles diz. “Mesmo quando Mitch toca sozinho, ele tem o ritmo.” A música foi composta por um guitalele – um ukulele com seis cordas. “Eles são muito bons para escrever, porque você pode viajar com eles. Eu tinha um deles comigo no Japão, então eles são realmente bons para ideias do momento.”

“She”

Um fantástico rock épico de seis minutos com uma excursão violenta de guitarra, como se Princie tivesse tocado “Purple Rain” com “Shine On You Crazy Diamond” de Pink Floyd. “Mitch tocou guitarra quando ele estava um pouco, hm, influenciado”, Styles conta. “Bem, ele estava sob efeito de cogumelos, todos nós estávamos. Não tínhamos ideia do que estávamos fazendo. Todos nós esquecemos sobre essa faixa, depois voltamos mais tarde e amamos. Mas Mitch não tinha ideia do que fez na guitarra naquela noite, então tivemos que aprender tudo novamente daquela música. Essa, para mim, parece muito britânica. Eu usualmente canto com um leve sotaque americano, porque a primeira pessoa que escutei na vida foi Elvis Presley. Quando estava fazendo a listagem, e selecionando as que iriam ao álbum, sempre foi uma das três primeiras a ser escolhidas. Essa é uma música fenomenal.”

“Sunflower, Vol. 6”

Uma viagem experimental com “deep cut*” escrito em todo canto: “Adoraria que as pessoas escutassem todo o álbum. Eu quero que as pessoas escutem todas as músicas. Mesmo com streaming e playlists, amo escutar os discos de cima para baixo. Então, quero fazer álbum que eu queria escutar de cima para baixo, porque é assim que eu escuto música.”

*deep cut faz referência à músicas não vendáveis, ou seja, feitas para não tocarem em rádio.

“Canyon Moon”

“Estava em um grande momento Joni,” Styles admite. Inspirado pelos arredores do sul da Califórnia – e sua obsessão pelo blue clássico de 1971 de Joni Mitchell – ele localizou Joellen Lapidus, a mulher que construiu o dulcimer que Mitchell toca ao longo desse álbum. No passado, Lapidus apresentou Mitchell às maravilhas da montanha dulcimer; ela levou na mochila ao redor da Europa e escreveu algumas de suas músicas mais clássicas com isso. Styles e Tom Hull tiveram suas primeiras aulas com o instrumento com a própria Lapidus, na sua casa em Culver. Ele orgulhosamente chama essa música de “Crosby, Stills, e Nash em esteroides.” Quando ele tocou Fine Line para Stevie Nicks nesse verão, ela escolheu essa [música] como sua favorita – e como você deve saber, a opinião de Stevie significa muito para o jovem rapaz que ela chamou de “meu pequeno muso Harry Styles.”

“Treat People With Kindness”

Essa cante-junto com as pessoas não soa como nenhuma outea [faixa] do álbum. Começou como um slogan de destaque na primeira turnê solo de Styles: “Eu disse para Jeff, eu adoraria algum dia escrever um som chamado ‘Treat People With Kindness.’ E eles estavam tipo, ‘Por que você simplesmente não o faz?’ E isso me deixou desconfortável de começo, porque eu não tinha certa do que era – mas então eu queria me apoiar nisso. Eu sinto que essa canção abriu algo que estava em minha alma.”

“Fine Line”

A mais comprida e mais excêntrica canção no álbum – uma das primeiras a serem escritas, como uma simples balada folk, mas que continuou se expandindo e evoluindo. “É estranho,” Styles diz. “Começou simples, mas eu queria ter essa outra coisa épica grande. E isso tomou forma dessa coisa que pensei, ‘Isso é exatamente como a música que quero fazer.’ Amo cordas, amo chifres, amo harmonias – então por que não colocamos tudo isso aí?” Isso tipifica o espírito de todo o projeto. Mas ele sabe que não pode agradar todo mundo.  “Quando meu avô ouviu ‘Lights Up’ pela primeira vez, ele disse, ‘Sim, eu tive que escutar algumas vezes para entender. Mas fico feliz que ainda esteja trabalhando.’ Foi engraçado, mas eu pensei, eu fico feliz por eu ainda estar trabalhando.”

Fonte: 

Harry Styles Reveals the Secrets Behind ‘Fine Line’

DEIXE SEU COMENTÁRIO