Publicado por em Sem categoria | 06 de setembro

Harry Styles: o garoto está de volta

Um aperto de mão pode apaziguar problemas políticos e abafar indícios de guerra. Ele pode, com um pouco de cuspe, validar o acordo de um cavalheiro, encerrar um relacionamento romântico de anos ou fazer um coração jovem acelerar. Mas tudo depende das duas partes envolvidas.

Daisy, 21, sentiu um choque sísmico quando Harry Styles, 25, usando um suéter listrado e anéis em três de seus cinco dedos, apertou a mão dela dois dias após o Met Gala deste ano em Nova York, quando ela serviu um sorvete para ele na loja onde trabalhava.

“Ele escolheu um pequeno sorvete de chocolate com menta e fiz o dele e o de seu amigo e em seguida eu disse: ‘Posso apenas dizer que realmente amei sua roupa do Met Gala?’ e ele respondeu: ‘Muito obrigado! Qual é o seu nome?’. E eu falei: ‘Daisy’. E ELE ESTENDEU A MÃO E ALCANÇOU PARA APERTAR A MINHA, E EU REALMENTE APERTEI A MÃO DELE, MAS QUE PORRA”, escreveu ela no Instagram depois do aperto de mãos. “E eu nem dissesse nada para inflar seu ego, além de ‘Eu amei o seu visual de gala’, e ele simplesmente apertou minha mão! QUE SER HUMANO BONITO, QUE DEUS O ABENÇOE E ESPERO QUE ELE VIVA PARA SEMPRE.”

Para Harry Styles, um aperto de mão pode ser um gesto romântico, evocando uma poderosa reverência em seu destinatário, como na época em que ele conheceu o diretor criativo da Gucci, Alessandro Michele. “Ele era tão atraente quanto James Dean e tão persuasivo quanto Greta Garbo. Ele era como um personagem de Luchino Visconti, como um Apolo: ao mesmo tempo sexy como uma mulher, como um garoto, como um homem”, Michele me disse, apressando-se a acrescentar: “É claro que Harry não está ciente disso.”

Não, Styles não tem ideia do poder que ele maneja. Em pessoa, ele é imponente, como alguém que não é muito alto, mas cuja reputação acrescenta dez centímetros. Styles tem um barítono sedativo, falado com um sotaque singular do norte da Inglaterra, que soa tão lento que você esquece o nome do seu primogênito, um estilo que foi cuidado e aperfeiçoado em lugares míticos com nomes como Paisley Park, Abbey Road ou Graceland. Faz todo o sentido que ele estaria tentando o papel de Elvis Presley no próximo filme biográfico de Baz Luhrmann. Ele estava preparado, ou melhor, nascido para agitar os quadris, com exceção de um botão da camisa, lutando por sua vida próximo ao seu torso. Em seguida, a parte foi concedida a outro ator, Austin Butler.

“[Elvis] foi um ícone para mim quando criança”, Styles me diz. “Havia algo quase sagrado nele, quase como se eu não quisesse tocá-lo. Então acabei entrando [na vida dele] um pouco e não fiquei desapontado”, ele acrescenta sua pesquisa inicial e os preparativos para interpretar O Rei. Ele parece tranquilo em perder a parte para Butler. “Sinto que, se eu não sou a pessoa certa para isso, é melhor para nós dois não fazer isso, sabe?”

Styles lançou seu álbum solo de estreia auto-intitulado em maio de 2017. O graduado em boyband estava claramente desinteressado em esvaziar as paradas musicais com mais pop formulado. Em vez disso, para a surpresa de muitos, ele mergulhou no rock retro-fetichista da década de 70 da costa oeste. Alguns dos milhares de fãs da One Direction podem ter ficado confusos, mas não importa: Harry Styles vendeu um milhão de cópias.

Apesar de seu sucesso comercial e crítico, ele não saiu em turnê pelo álbum imediatamente. Ele queria atuar no filme de Christopher Nolan, Dunkirk. Para seu crédito, o retrato de um soldado britânico encolhido em um barco ancorado nas praias francesas enquanto os nazistas avançavam não foi espetado na imprensa como os filmes de estreia como, digamos, de Madonna ou Justin Timberlake. Talvez ele estivesse seguindo o conselho de Elton John, que o incitou a diversificar. “Ele foi brilhante em Dunkirk, o que pegou muita gente de surpresa”, escreve John em um email. “Adoro como ele agarra oportunidades e riscos”. Atuar, ao contrário da música, é um lançamento para Styles; é a única vez que ele não pode ser ele mesmo.

“Por que eu quero atuar? Para mim, é tão diferente da música”, diz ele, de repente animado. “São quase opostos para mim. Música, você experimenta e coloca tanto de você nisso; Atuar, você está tentando desaparecer totalmente em quem quer que seja.”

Após a notícia de que perdeu [o papel de] Presley, seu nome foi divulgado para o papel de príncipe Eric no remake da Disney em live-action de A Pequena Sereia. No entanto, os fãs terão que esperar um pouco mais para ver Styles na telona, pois essa ideia também afundou. Ele não será o rei ou o príncipe. “Foi discutido”, ele reconhece antes de mudar rapidamente de assunto. “Quero lançar músicas e focar nisso por um tempo. Mas todos os envolvidos foram incríveis, então eu acho que vai ser ótimo. Vou gostar de assistir, tenho certeza.”

O novo álbum está pronto e o single decidido. “Não é como o último álbum dele”, disse-me recentemente sua amiga, a lenda do rock ‘n’ roll Stevie Nicks, por telefone. “Não é como nada que a One Direction já fez. É puramente Harry, como Harry diria. Ele fez um disco muito diferente e é espetacular.”

Além disso, Styles está mantendo as cartas perto do peito quanto ao seu próximo movimento musical. No entanto, o ar está cheio de boatos de que seu principal ajudante do HS2 é Kid Harpoon, também conhecido como Tom Hull, que co-escreveu a faixa ‘Sweet Creature’ do álbum de estreia. Nenhuma autoridade menos do que Liam Gallagher nos disse que os dois fugitivos de grandes bandas estavam no mesmo estúdio — RAK no noroeste de Londres — ao mesmo tempo em que faziam seus segundos álbuns solo. Styles tocou algumas faixas para ele, “e eu digo a você, elas são boas”, entusiasmou Gallagher. “Um pouco como Bon Iver. Esse é o nome dele?”

Harry Styles conheceu Nicks em um show do Fleetwood Mac em Los Angeles em abril de 2015. Algo nele pareceu autêntico para a lendária vocalista: fundamentado, como se ela o conhecesse desde sempre, abençoada com um sorriso de vitória. Um mês depois, eles se encontraram nos bastidores em outro show do Mac, desta vez na O2 em Londres. Styles trouxe um bolo de cenoura para o aniversário de Nicks, com o nome dela de glacê no topo. Por sua própria admissão, Nicks nem comemora aniversários, então isso foi uma surpresa. “Ele foi pessoalmente responsável por eu ter que comemorar meu aniversário, o que foi muito amável”, diz ela.

A relação de Styles com Nicks é difícil de definir. Introduzindo ela no Rock and Roll Hall of Fame em Nova Iorque como uma artista solo mais cedo nesse ano, seu discurso venerou ela com uma “madrinha mágica boêmia que habita o meio termo”. Ela o chamou de “filho bastardo” com Mick Fleetwood e o “filho que eu nunca tive”. Ambos já passaram da conversa preliminar de conhecer seus talentos não quantificáveis e suavemente acelerados em brincadeiras competitivas divertidas de uma mãe bruxa e seu filho danado.

Eles se apresentaram juntos – ele cantou The Chain e Stop Draggin’ My Heart Around; ela cantou aquela supostamente escrita sobre Taylor Swift, Two Ghosts. Uma dessas apresentações foi em maio, na after party do Gucci Cruise em Roma, por “muito dinheiro”, Nick me conta, em um “grande lugar tipo um castelo”. Ela se tornou sua mentora, de fato – uma ligação é tudo que precisa para alcançar a rainha do Rock’n’Roll, para conselhos em sequências (“Ela é realmente boa em listas de música,” admite Styles) ou apenas para ouvir a voz um do outro… porque, bem, você não iria?

Seguindo para outro show do Fleetwood Mac, no estádio Wembley de Londres, em junho, Nicks encontrou com Styles para um jantar (indiano). Ele então convidou-a para sua mansão geminada georgiana no norte de Londres para uma Listening Party à meia-noite. O álbum – HS2 ou o que quer que se chamará – estava pronto. Nicks, sua assistente Karen, sua maquiadora e suas amigas, Jess e Mary, se amontoaram no sofá da sala de estar de Styles. Elas ouviram uma vez no silêncio com um “monte de macacos educados ou algo assim nessa sala escura”. Então de novo, 15 ou 16 faixas, dessa vez cada um dos convidados contribuindo com comentários. Isso se enrolou até as 5 da manhã, conforme o sol entrava pelas cortinas.

Mesmo para uma estrela do pop do tamanho de Styles, apertar o “play” de um trabalho profundamente profissional para sua heroína digerir, assistir o rosto dela reagir em tempo real para sua música nova, deve ser… o quê?

“É uma faca de dois gumes,” ele responde. “Você sempre fica nervoso quando apresenta uma música para as pessoas pela primeira vez. Você já ouviu tanto a essa altura, que esquece que os outros nunca a ouviram antes. É difícil não se sentir como se você tivesse feito o que você se delimitou a fazer. Você está feliz com algo e então alguém que você respeita tanto e admira está tipo: ‘Eu realmente gosto disso’. Parece com um enorme selo de aprovação. É um grande passo para se sentir confortável com o que quer que aconteça com isso.”

Serpentear a fundo pelas informações de Styles é cansativo, uma vez que ele foi alcançado pela fama na era das mídias sociais, onde cada maldita piscada de olhos delineados por kohl foi documentado em seis ângulos. (E sim, ele às vezes usa delineador.)

Respira fundo: nascido em Redditch, Worcestershire, filho de Des e Anne, que se divorciaram quando ele tinha sete anos. Cresceu em Holmes Chapel em Cheshire com sua irmã, Gemma, sua mãe e seu padrasto, Robin Twist. Andou de graça a cavalos em um estábulo próximo (“Eu era um cavaleiro ruim, mas eu era um cavaleiro”). Parou de andar a cavalos, “me interessei em coisas diferentes”. Formou uma banda, White Eskimo, com colegas da escola. Aos 16, tentou entrar para a edição de 2010 do The X Factor com uma movimentada mas mediana apresentação de Isn’t She Lovely, do Stevie Wonder. Tirado do programa e colocado em uma boyband com outros quatro, Louis Tomlinson, Liam Payne, Niall Horan e Zayn Malik, chamados de One Direction. Se tornaram internacionalmente famosos, visitaram o globo. Zayn saiu para seguir solo. Visitaram um pouco mais. Namorou mas talvez não namorou Caroline Flack, Rita Ora e Taylor Swift – quem ele supostamente largou nas Ilhas Virgens Britânicas. (Esse relacionamento, se nada mais, produziu fotos icônicas e sinceras de Swift parecendo deprimida, sendo levada de volta à costa na parte de trás de um barco chamado Flying Ray.) One Direction discutiu se separar em 2014, realmente se dissolveu em 2015. Eles permanecem amigos, e Styles entrou em carreira solo oficialmente em 2016.

Faz dois anos desde sua estreia homônima e seu lead single, Sign of the Times, chocou o mundo e Elton John com o som vanglorioso de rock suave. “Veio do inesperado e eu amei,” John diz.

Depois de 89 shows em arenas lotadas através de cinco continentes, arrecadou a ele, à marca, e quem mais que isso envolva, mais de 61 milhões de dólares, Styles tinha tudo, mas desapareceu. Ele apareceu inconstantemente para eventos públicos – uma apresentação na after party da Gucci aqui, sendo co-anfitrião do Met Gala ali. Ele se mudou de Los Angeles de volta para Londres, vendendo sua casa em Hollywood Hills por 6 milhões de dólares e transportando seu Jaguar E-type através do Atlântico para que ele pudesse dar um passeio no M25.

“Eu não esqueci Los Angeles,” ele insiste quando eu pergunto sobre a mudança. “Minha relação com LA mudou bastante. O que eu queria da cidade mudou.”

Um ótimo refúgio, ele concordaria, é necessário às vezes. Ele estava em Tóquio durante a maior parte de janeiro, tendo seu álbum quase pronto. “Eu precisava de tempo para tirar de mim aquele estado de espírito do álbum: ‘Está pronto? Onde eu estou? O que está acontecendo?’ Eu realmente precisava daquele tempo longe de todo mundo. Eu estava sozinho em Tóquio.” Seu tempo sabático envolveu principalmente ler The Wind-Up Bird Chronicle, de Haruki Murakami, cantar Nirvana no karaokê, escrever sozinho em seu quarto de hotel, ouvir música e bisbilhotar estranhos em conversas alienígenas. “Foi apenas um tempo positivo para minha mente e eu acho que isso impactou bastante no álbum.”

Durante esse intervalo ele assistiu muitos filmes, leu um monte de livros. Algumas vezes ele manda essas recomendações para seu amigo da Gucci, Michele. Ele disse a Michele para assistir ao filme de Ali Macgraw, Love Story – Uma História de Amor. “Nós conversamos sobre o que amigos conversam. Ele é o mesmo que eu em termos de que ele vive em seu próprio mundo e ele faz suas próprias coisas. Eu amo me vestir e ele ama se vestir.”

Porque ele ama se vestir, Michele escolheu Styles para ser o rosto de três campanhas de alfaiataria da Gucci e da nova fragrância sem gênero, Mémoire d’une Odeur.

“No momento em que o conheci, entendi imediatamente que havia algo forte em torno dele”, diz Michele. “Eu percebi que ele era muito mais que um jovem cantor. Ele era um jovem homem, vestido de maneira atenciosa, com cabelos despenteados e uma voz bonita. Pensei que ele reunisse em si o feminino e o masculino”.

Moda, para Styles, é um parque infantil. Algo que ele não leva muito a sério. Há alguns anos, Harry Lambert, seu estilista desde 2015, comprou para ele um par de botas Saint Laurent metálicas rosa, botas as quais ele nunca foi fotografado usando. Elas são extremamente raras – existem poucos pares. Styles os usa para “comprar leite”. Elas são, em suas palavras, ”super divertidas”. Ele não tem certeza, mas possui, estimadamente, 50 pares de sapatos e armários cheios em pelo menos três códigos postais. Ele escolhe uma roupa rapidamente, talvez troque de camiseta uma vez antes de sair, mas, acima de tudo, ele sabe do que gosta.

O que ele pode não entender completamente é que, ao ser fotografado em uma peça de roupa, ele pode estimular a carreira de um estilista, como fez com Harris Reed, Palomo Spain, Charles Jeffrey, Alled-Martínez e um novo favorito, Bode. Styles usou um terno floral SS16 Gucci no American Music Awards de 2015. Quando lhe perguntaram quem fez o seu traje no tapete vermelho, Gucci começou a se destacar no mundo inteiro no Twitter.

“Foi uma das primeiras vezes que um homem usou um dos modelos de passarela de Alessandro e, na época, os homens não estavam se arriscando muito nos tapetes vermelhos”, diz Lambert. “Quem sabe se isso influenciou outros, mas foi um momento especial. Além disso, foi divertido ver os fãs se vestindo de terno para assistir aos shows de Harry.”

No entanto, os códigos tradicionais de vestuário de gênero ainda estão dando um mata-leão nas mentes da América central. Os homens não podem usar roupas femininas, dizem os comentaristas online, que o rotularam de “trágico”, “um palhaço” e um aspirante a Bowie. Styles não se importa. “O que é feminino e masculino, o que os homens estão vestindo e o que as mulheres estão vestindo — é como se não houvessem mais limites.”

Elton John concorda: “Funcionou para Marc Bolan, Bowie e Mick. Harry tem as mesmas qualidades”.

Depois, há a questão da sexualidade de Styles, algo que ele admitiu “nunca rotular”, o que o atormentará até que ele rotule. Talvez seja parte de seu fascínio. Ele empunhou uma bandeira do orgulho que dizia “Make America Gay Again” no palco e plantou uma estaca em algum lugar à esquerda do centro no espectro do arco-íris da sexualidade.

“Na posição em que ele está, ele não pode dizer muito, mas ele escolheu uma banda de garotas esquisitas para abrir para ele e eu acho que isso fala muito”, disse Josette Maskin, da banda queer MUNA, ao The Face no início deste ano.

“Eu recebo um monte de…” Styles se prolonga, intrigado sobre como ele pode debater sobre sexualidade sem realmente responder. “Nem sempre sou super franco. Mas acho que deixo bastante claro, pelas escolhas que faço, que me sinto de certo modo em relação à várias coisas. Não sei como descrever isso. Acho que não…” — Ele faz uma pausa novamente. “Quero que todos se sintam à vontade nos shows e online. Eles querem ser amados e iguais, sabe? Eu sempre recebo apoio, então é estranho para mim pensar demais nisso por alguém.”

Sexualidade à parte, ele deve reconhecer que tem apelo sexual. “A palavra ‘sexy’ soa tão estranha saindo da minha boca. Então, eu diria que é provavelmente por isso que não me consideraria sexy”.

Harry Styles emergiu totalmente formado, uma estrela do rock anacrônica, vaga em sensibilidade, mas destinada a impressionar com um sorriso desarmante e um aperto de mão quente, mas firme.

Recito a ele uma citação de Chrissie Hynde, do The Pretenders, sobre seu tempo no trono do rock: “Eu nunca entrei nisso pelo dinheiro ou porque queria participar do ‘sexo de uma super estrela’ em volta das piscinas. Fiz isso porque a oferta de um contrato com a gravadora apareceu e parecia ser mais divertido do que ser garçonete. Agora, não tenho tanta certeza.”

Styles — que trabalhou em uma padaria em uma pequena cidade do norte algum tempo antes de tocar para 40.000 fãs gritando nas arenas da América do Sul — deve ter testemunhado algumas merdas, sido convidado para algumas festas sexuais à beira da piscina, na época.

“Eu vi algumas coisas”, ele concorda com a cabeça. “Mas eu ainda sou jovem. Eu sinto que ainda há coisas para ver.”.

 

Fonte: The Face

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